O arquétipo da Mãe

A Mãe, essa mulher divina, quase santificada, que se sacrifica em prol da sua família, nomeadamente, das suas crias, para que nunca, jamais, em caso algum, exista alguma falha ou engano no seu percurso de Vida.

As Mães, esses seres mágicos que estão sempre certas de tudo quanto fazem, não existindo margens para erros. São omnipresentes, omniscientes e omnipotentes. Fazem tudo e, muitas vezes fazem ainda mais do que tudo, fazem milagres!

São criaturas extraordinárias e carregam o peso da sociedade nas costas e da romantização do papel materno. Não bastasse já o peso da barriga, a azia, as inúmeras infecções urinárias, os comentários dos especialistas, fora as incalculáveis dores das contracções e trabalho de parto, a que podemos acrescentar ainda o processo da amamentação, as tenebrosas noites sem dormir e dias sem tomar banho! E ainda… as birras dos nossos mui amados filhos, as doenças, os gritos, a gloriosa fase da adolescência e a nossa completa e total perda de sanidade mental.

Mas as mães, essas mantêm-se firmes e esplendorosas, perfeitamente arranjadas e sempre com um sorrido no rosto e um crachá no peito a dizer “Amo os meus filhos”.

E amamos, mesmo! Muito! Aliás, nem existe um algarismo que consiga quantificar o amor de uma mãe pelo seu filho. Nem palavras, nem gestos, só Amor, essa é de facto a medida certa, o Amor sem medida!

Mas nós, Mães, também nos zangamos, sentimos raiva dentro das nossas células, duvidamos várias vezes se este era de facto o nosso percurso, ou se não estaríamos melhor antes…Normalmente, estas dúvidas desvanecem ao fim de uns quantos minutos, quando retornamos ao nosso centro, ou quando o puto nos fita nos olhos e, sem dizer absolutamente nada, sorri…

As sombras existem em nós, e ser mãe não nos transforma em seres desprovidos de emoções ou em avatares búdicos. Não deixamos de seres Mulheres. Não deixamos todo o nosso passado, as nossas esperanças, sonhos, expectativas e tudo o resto dentro de uma caixa de sapatos, que se coloca num sótão e lá fica guardada, sem mexer, sem usar, sem nos lembramos mais que existe. Não! Isso não existe, não é real! As mães amam os filhos mas são Mulheres, são indivíduos únicos, cheias de carisma, autenticidade e valor, imenso valor!

Nenhum ser, seja ele masculino ou feminino deveria ter de abdicar de si mesmo para servir o outro, ou então isto não é Amor!

Claro que o arquétipo da grande Deusa-Mãe, cuja missão é conceber, sustentar e acalentar seus filhos, encontra-se presente no inconsciente colectivo da humanidade, desde as suas origens.

A ideia do amor maternal, da protecção, do carinho, são as características do arquétipo materno que nos irá possibilitar crescer e tornarmo-nos adultos maduros prontos para encarar os desafios da vida.  Assim, como disse Alexandre Quinta Teixeira, “o ser mãe eleva a posição da mulher a uma postura de deusa que cria seres inofensivos e os transforma num passe de mágica em homens adultos prontos para trilharem seu caminho sozinhos”.

Contudo, jamais deveríamos esquecer que esta divindade, esta característica mágica da maternidade, se encontra em todas as mulheres, sejam elas mãe ou não. E, de facto, as mães deveriam aproveitar esta energia da maternidade, acentuada no seu período fértil, tornando-se mais amorosas, compassivas e empáticas consigo próprias, nutrindo-se, amando-se. Quantas de nós fazem isto? E todas nós atravessamos desertos na nossa vida, situações em que temos de ser as nossas próprias mães.

Existem algumas formas de potenciarmos este amor materno, em nós, como o uso dos cristais. E, nesse sentido, tenho que referenciar o Quartzo rosa. Este cristal, delicado e belo, é a pedra do amor incondicional e da paz infinita. Ele é, sem dúvida, o mais importante cristal para o coração e para o chakra cardíaco, ensinando a verdadeira essência do amor. Ele purifica e abre Anahata a todos os níveis, acalma, serena e é excelente para casos de trauma ou crises. As dores emocionais, do passado, presas em teias que construímos no nosso coração irão soltar-se dando lugar à paz. Ora, trata-se pois da pedra, por excelência, para o amor incondicional do nosso ser, afinal, como já escutámos várias vezes, se eu não me amar jamais poderei amar alguém.

Outro cristal, especial, é o Larimar. Esta pedra irradia amor e paz, promovendo a tranquilidade. Psicologicamente, remove bloqueios auto impostos e restrições. Dissolve comportamento de auto sabotagem, especialmente, a tendência para o martírio, tão enraizada na nossa cultura, no significado da palavra Mãe. É particularmente útil para amenizar sentimentos de culpa e para a remoção de medos, dois dos fantasmas mais comuns que assombram os ninhos das mães. Esta pedra traz calma, clareza, serenidade e equilíbrio, conectando-nos, ainda, com a energia da Mãe Terra e permitindo à mulher contactar com a sua feminilidade que, por muitas vezes, se encontra adormecida entre fraldas, mamadas ou até crises de adolescência.

Também os Florais de Bach são particularmente úteis para as mães, nomeadamente, Olive (Oliveira). Os tipos Olive sentem cansaço absoluto, mental e físico. As suas reservas de força ficam esgotadas, pelo que esta essência possibilita, a quem a toma, a renovação da energia e vitalidade. Trata-se de um floral excelente para mães, na época de parro, aleitamento e para noites sem dormir.

Não posso deixar de falar de Agrimony (Agrimónia). Os tipos Agrimony escondem as tristezas por trás de uma máscara de alegria. Quanto mais difíceis as coisas se tornam ao seu redor, maior esforço fazem para manter as aparências, inclusivamente realizam sacrifícios para manter a paz e a tranquilidade. Ora não é assim que as mães tendem a agir? Auto sacrificando-se em prol da sua mais bela obra de arte? Nesse sentido, este floral irá permitir que encontrem a paz no seu interior e que possam exprimir os seus sentimentos, com segurança, certas de que é normal sentir cansaço, dúvida, medos e dor, nessa sua jornada.

Em último lugar gostaria de falar de Rock Water, a única essência do sistema de Bach que não deriva de uma flor. Os tipos Rock Water praticam a auto negação e são muito exigentes consigo mesmos, suprimindo as suas necessidades básicas. Sentem a necessidade constante de serem melhores do que são. Esta é uma das maiores pressões das mães, a crença na necessidade de serem melhores, todos os dias, auto negando-se, em busca da perfeição que reside, curiosamente, na imperfeição diária dos seus gestos, para com as suas crias. Este floral irá permitir à mulher, mãe, descontrair e apreciar as suas qualidades, possibilitando que uma bondade suave ingresse no seu ser interior.

A todas as mães, no seu percurso de vida, e a todas aquelas que não sendo mães fisicamente o são de alma, deixo aqui o meu sincero abraço, relembrando que tudo está bem, assim.

Somos mulheres, somos mães, somos cíclicas, somos sangue, somos intuição e razão, somos sombra e luz, alegria e raiva, esperança e desânimo, fé e descrença, dor e amor, somos o Todo e o Todo somos nós.

Com Amor, Fernanda

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